quinta-feira, 26 de novembro de 2015

“Um mundo onde tudo é possível”



Por Jorge Níkolas Camargo

É com a frase que dá título a essa resenha que Neo, personagem de Keanu Reeves em “Matrix”, termina o filme dirigido pelos irmãos Wachoski. O longa metragem, que teve seu lançamento em 1999, é um avanço tecnológico para a época, a começar pelos efeitos especiais que ajudam a contar a história com maestria e num ritmo incansável, misturando as emoções do espectador: suspense e ação que regem uma história inovadora para a época e que, por que não, nos faz questionar até que ponto deixamos que a tecnologia (nisso, entenda-se as máquinas e computadores cada vez mais presentes em nossas vidas) tomar conta do nosso dia a dia, enquanto a sociedade torna-se cada vez mais alienada com o que lhe é apresentado.

O questionamento levantado em Matrix é extremamente válido: os seres humanos são manipulados para fazerem aquilo que determinado poder quer. Claro, a ficção do filme é sobre a realidade implantada nos seres humanos, que são fontes de energia para a inteligência artificial criada pelo homem e que superou o seu criador. Para sobreviver, suga a energia dos seres humanos dormindo e que vivem uma realidade que lhes apresentada como única e verdadeira. O filme também é uma versão moderna do Mito da Caverna, de Platão, onde as pessoas enxergavam apenas sombras e consideravam aquilo como realidade absoluta, não acreditando em quem viu o mundo real fora da gruta.

Neo, o hacker, é despertado para a realidade da Matrix depois de tomar uma pílula e, então, conhece um grupo de pessoas que lutam contra essa realidade implantada. Um pouco de Ibsen, em Um Inimigo do Povo, quando o “Um” tenta mostrar para uma sociedade cega que a realidade deles está sendo manipulada e, também, O Show de Truman, onde o personagem principal é criado diante de câmeras e passa toda a sua vida sendo controlado por um produtor de televisão que só pensa em faturar. É uma sociedade do espetáculo, onde o que lhe é apresentado é tido como única verdade, sem questionamentos, sem intervenções.

O pane no sistema que Matrix apresenta nos leva a refletir se, de fato, essa realidade que nos é apresentada não é fake, criada única e exclusivamente para controlar as vontades, os desejos de seres humanos que, cada vez mais, estão cegos. O filme é uma crítica a sociedade contemporânea e também uma reflexão sobre como deixamos que a sociedade consumista, capitalista decida o que devemos vestir, o que comer, enfim, quem somos. Só sei que todas as vezes que tive um Dejá Vu, vou achar que tem alguém alterando, que alguém de desconfigurou. 


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