Por Jorge Níkolas Camargo
É com a frase que dá título a
essa resenha que Neo, personagem de Keanu Reeves em “Matrix”, termina o filme
dirigido pelos irmãos Wachoski. O longa metragem, que teve seu lançamento em
1999, é um avanço tecnológico para a época, a começar pelos efeitos especiais
que ajudam a contar a história com maestria e num ritmo incansável, misturando
as emoções do espectador: suspense e ação que regem uma história inovadora para
a época e que, por que não, nos faz questionar até que ponto deixamos que a
tecnologia (nisso, entenda-se as máquinas e computadores cada vez mais
presentes em nossas vidas) tomar conta do nosso dia a dia, enquanto a sociedade
torna-se cada vez mais alienada com o que lhe é apresentado.
O questionamento levantado em
Matrix é extremamente válido: os seres humanos são manipulados para fazerem
aquilo que determinado poder quer. Claro, a ficção do filme é sobre a realidade
implantada nos seres humanos, que são fontes de energia para a inteligência
artificial criada pelo homem e que superou o seu criador. Para sobreviver, suga
a energia dos seres humanos dormindo e que vivem uma realidade que lhes
apresentada como única e verdadeira. O filme também é uma versão moderna do Mito da Caverna, de Platão, onde as pessoas enxergavam apenas sombras e consideravam aquilo como realidade absoluta, não acreditando em quem viu o mundo real fora da gruta.
Neo, o hacker, é despertado para
a realidade da Matrix depois de tomar uma pílula e, então, conhece um grupo de
pessoas que lutam contra essa realidade implantada. Um pouco de Ibsen, em Um Inimigo do Povo, quando o “Um” tenta
mostrar para uma sociedade cega que a realidade deles está sendo manipulada e,
também, O Show de Truman, onde o
personagem principal é criado diante de câmeras e passa toda a sua vida sendo
controlado por um produtor de televisão que só pensa em faturar. É uma
sociedade do espetáculo, onde o que lhe é apresentado é tido como única
verdade, sem questionamentos, sem intervenções.
O pane no sistema que Matrix
apresenta nos leva a refletir se, de fato, essa realidade que nos é apresentada
não é fake, criada única e
exclusivamente para controlar as vontades, os desejos de seres humanos que,
cada vez mais, estão cegos. O filme é uma crítica a sociedade contemporânea e
também uma reflexão sobre como deixamos que a sociedade consumista, capitalista
decida o que devemos vestir, o que comer, enfim, quem somos. Só sei que todas as
vezes que tive um Dejá Vu, vou achar
que tem alguém alterando, que alguém de desconfigurou.

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