Um blog de cultura. Aqui você confere curiosidades sobre música, literatura e cinema. Seja bem vindo, acenda seu cigarro e fique a vontade.
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Porque “Blade Runner”, de Ridley Scott, é um marco da ficção científica no cinema
Por Ágatha Santos
Baseado na obra “Do Androids Dream Of Electric Sheep?”, de Philip K. Dick, e dirigido pelo inglês Ridley Scott, mesmo diretor de Alien - O 8º Passageiro (1979), Blade Runner é um filme de ficção científica que está entre os mais importantes da história do gênero nos cinemas. A narrativa, que se passa numa Los Angeles de 2019, tem como seu principal personagem o detetive Rick Deckard, estrelado por Harrison Ford. Outros nomes do elenco são Rutger Hauer, no papel de Roy Batty; Sean Young, como Rachael; e Edward James Olmos, como Gaff.
Com um roteiro sugestivo, o longa apresenta um detetive que recebe a missão de exterminar androides. No entanto, os Replicantes não são androides comuns, mas robôs que representam o mais perto que a humanidade já chegou do que se pode chamar de perfeição robótica. Ágeis, inteligentes, bonitos e fortes, eles estão em busca de maior tempo de vida. A trilha sonora de Vangelis, com músicas como “Love Theme” e “One More Kiss, Dear”, entre outras, é um presente de Blade Runner ao público, que nem precisa gostar do gênero de filme para gostar da adaptação de Scott.
A história toda se passa em uma Los Angeles sinistra, com prédios decadentes e um amontoado de gente que sofre com uma chuva ácida que assola a cidade há certo tempo. Com visual retrô-futurista, Blade Runner é inspirado no filme Metrópolis (1927), do alemão Fritz Lang, e nos filmes noir da década de 50, entre outras influências. Um dos pontos mais interessantes do longa, por sua vez, é a reflexão sobre a condição humana no mundo moderno.
Na obra de Scott, androides têm maior capacidade para demonstrar humanidade que os próprios seres humanos. Assim, Blade Runner remete o público à uma série de questões, passando por cenários tristes nos quais a vida natural, para os humanos, já se tornou algo raríssimo e apenas os mais ricos podem ter privilégios, como migrar para uma nova vida interplanetária. No filme, Los Angeles não passa de uma cidade destruída pela poluição, coberta pela chuva ácida. Os que não têm condição de sair do planeta sobrevivem em meio a robôs de diversos tipos.
Outra reflexão que vale a pena em Blade Runner é a grande crítica ao capitalismo - já que o longa nos leva à uma Terra totalmente corrompida pelas ações humanas. O filme mostra um planeta abandonado pelas classes dominantes, que partem para uma nova vida em outro planeta. Essas pessoas só não contavam que os androides, criados para obedecê-los e com prazo de tempo de vida, iriam iniciar a sua revolução. É assim que a força de trabalho também se torna assunto discutido na obra.
Assim, por diversos aspectos, Blade Runner é, provavelmente, o filme de ficção científica mais importante, pelo menos, da década de 1980. Mesmo a obra não tendo o devido reconhecimento em sua época de exibição no cinema norteamericano, pode-se dizer que a adaptação de Scott é um marco do audiovisual, que apresentou não apenas novos recursos de efeitos especiais, como, mostrou, de forma inédita, uma narrativa recheada de sentido - o que era difícil ver nos filmes de ficção científica produzidos até aquele momento.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário