O "33" é um curta produzido para a disciplina de Cinema Documentário, do curso de Jornalismo na Universidade Positivo. O vídeo foi feito pelos alunos Ágatha Santos, Amanda Cordeiro, Heloísa Helena, Jorge Camargo e Lucas de Lavor, com ajuda do Ricardo Cardoso e do Bernardo Passarella.
Vaca Profana
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quinta-feira, 26 de novembro de 2015
"33"
O "33" é um curta produzido para a disciplina de Cinema Documentário, do curso de Jornalismo na Universidade Positivo. O vídeo foi feito pelos alunos Ágatha Santos, Amanda Cordeiro, Heloísa Helena, Jorge Camargo e Lucas de Lavor, com ajuda do Ricardo Cardoso e do Bernardo Passarella.
Porque “Blade Runner”, de Ridley Scott, é um marco da ficção científica no cinema
Por Ágatha Santos
Baseado na obra “Do Androids Dream Of Electric Sheep?”, de Philip K. Dick, e dirigido pelo inglês Ridley Scott, mesmo diretor de Alien - O 8º Passageiro (1979), Blade Runner é um filme de ficção científica que está entre os mais importantes da história do gênero nos cinemas. A narrativa, que se passa numa Los Angeles de 2019, tem como seu principal personagem o detetive Rick Deckard, estrelado por Harrison Ford. Outros nomes do elenco são Rutger Hauer, no papel de Roy Batty; Sean Young, como Rachael; e Edward James Olmos, como Gaff.
Com um roteiro sugestivo, o longa apresenta um detetive que recebe a missão de exterminar androides. No entanto, os Replicantes não são androides comuns, mas robôs que representam o mais perto que a humanidade já chegou do que se pode chamar de perfeição robótica. Ágeis, inteligentes, bonitos e fortes, eles estão em busca de maior tempo de vida. A trilha sonora de Vangelis, com músicas como “Love Theme” e “One More Kiss, Dear”, entre outras, é um presente de Blade Runner ao público, que nem precisa gostar do gênero de filme para gostar da adaptação de Scott.
A história toda se passa em uma Los Angeles sinistra, com prédios decadentes e um amontoado de gente que sofre com uma chuva ácida que assola a cidade há certo tempo. Com visual retrô-futurista, Blade Runner é inspirado no filme Metrópolis (1927), do alemão Fritz Lang, e nos filmes noir da década de 50, entre outras influências. Um dos pontos mais interessantes do longa, por sua vez, é a reflexão sobre a condição humana no mundo moderno.
Na obra de Scott, androides têm maior capacidade para demonstrar humanidade que os próprios seres humanos. Assim, Blade Runner remete o público à uma série de questões, passando por cenários tristes nos quais a vida natural, para os humanos, já se tornou algo raríssimo e apenas os mais ricos podem ter privilégios, como migrar para uma nova vida interplanetária. No filme, Los Angeles não passa de uma cidade destruída pela poluição, coberta pela chuva ácida. Os que não têm condição de sair do planeta sobrevivem em meio a robôs de diversos tipos.
Outra reflexão que vale a pena em Blade Runner é a grande crítica ao capitalismo - já que o longa nos leva à uma Terra totalmente corrompida pelas ações humanas. O filme mostra um planeta abandonado pelas classes dominantes, que partem para uma nova vida em outro planeta. Essas pessoas só não contavam que os androides, criados para obedecê-los e com prazo de tempo de vida, iriam iniciar a sua revolução. É assim que a força de trabalho também se torna assunto discutido na obra.
Assim, por diversos aspectos, Blade Runner é, provavelmente, o filme de ficção científica mais importante, pelo menos, da década de 1980. Mesmo a obra não tendo o devido reconhecimento em sua época de exibição no cinema norteamericano, pode-se dizer que a adaptação de Scott é um marco do audiovisual, que apresentou não apenas novos recursos de efeitos especiais, como, mostrou, de forma inédita, uma narrativa recheada de sentido - o que era difícil ver nos filmes de ficção científica produzidos até aquele momento.
O Beijo no Asfalto: um clássico de Nelson Rodrigues da década de 60
Por Ágatha Santos
Composta por
três atos e treze quadros, a peça teatral "O Beijo no Asfalto",
escrita por Nelson Rodrigues, não deixa de ser um marco na história artística
brasileira. Lançada em 1960, a obra do jornalista conta a história de Arandir,
um homem que assinala a sua sina para sempre quando beija outro homem na boca
em plena rua. Escrita especialmente para o Teatro dos Sete, a peça foi mostrada
pela primeira vez ao público em 1961, quando várias pessoas abandonaram suas
respectivas cadeiras e deixaram o teatro
no meio da exibição.
Voltando à
década de 1960, é preciso relembrar a importância de uma obra que levava ao
público a problemática de um beijo homossexual no meio da rua. Pouco se
discutia sobre o assunto, que era - e ainda é, infelizmente - uma grande
polêmica para a sociedade. Ousado e genial, Nelson fez as pessoas engolirem seus
pré-julgamentos, com uma peça que permite diversas interpretações e é composta
inteiramente por diálogos. No elenco de 1961, estavam grandes nomes como
Tarcísio Meira, Fernanda Montenegro e Christiane Torloni, entre outros.
Diz-se que
Nelson se inspirou em uma história real para contar a tragédia do personagem
principal. A sina de Arandir começa quando ele, num ato de misericórdia, beija
um homem prestes a morrer e o repórter mau caráter, Amado Ribeiro, aproveita-se
da polêmica para publicar o ocorrido na manchete de seu jornal. Com uma
história de vida profundamente ligada ao jornalismo, é evidente a crítica do
autor à sua própria profissão. Quantos "Amado Ribeiro" existem por
aí?
Arandir vê a
sua vida destruída pelo jornalista, que além de publicar o beijo no asfalto
como manchete, ainda alimenta uma série de mentiras em seu veículo, como
insinuações de que Arandir tinha um caso com o morto e até mesmo que ele teria
provocado o atropelamento que antecedeu o beijo. Todos acreditam na versão do
jornal e, assim, Arandir perde a esposa, o trabalho e o respeito dos mais
próximos, inserido em uma sociedade que prega "a moral e os bons
costumes".
Incansável
na criatividade, Nelson ainda reserva uma série de polêmicas na narrativa,
levando o público à diversas reflexões e o surpreendendo com um final
totalmente inesperado. O Beijo no Asfalto, além de Arandir e Amado Ribeiro,
também apresenta os personagens Selminha, esposa de Arandir; Dália, irmã de
Selminha que é apaixonada por Arandir; Aprígio, o sogro; Cunha, um delegado
corrupto; Werneck, assistente do delegado; e a viúva do morto.
Nenhum dos
personagens de O Beijo no Asfalto foi colocado ali de maneira aleatória - isso
é algo que o leitor pode perceber ao longo da narrativa. Com a sua genialidade,
como se não fosse o bastante Nelson Rodrigues, ainda, nos oferece um ato final
brilhante que remete à origem de todo o problema discutido na obra: um homem
nos braços de outro, sem que exista qualquer relação homossexual que possa ser
ali identificada de forma real.
A peça de
Nelson tem mais a ver com a hiprocrisia de uma sociedade que acha que sabe a
realidade das coisas, sem ter a menor ideia do que acontece nos bastidores, do
que com uma relação homossexual propriamente dita. Arandir não é gay, é apenas
um homem que tem a vida destruída graças às mentiras inescrupulosas de um
jornalista cruel e hipócrita que só pensa em ganhar dinheiro e poder, custe o
que custar. Escrito para o teatro, "O Beijo no Asfalto" também virou
filme, na década de 1980, nas mãos do diretor Bruno Barreto. A adaptação para o
cinema é considerada como uma das obras mais fieis ao livro de todos os tempos.
É assim que
Nelson Rodrigues nos oferece, como não poderia ser diferente, uma história que
remete à vida como ela é.
O besouro mais famoso da literatura
Por Jorge Níkolas Camargo
O caixeiro viajante Gregor Samsa acorda certo dia
metamorfoseado em um inseto monstruoso. O começo do livro “A Metamorfose” de
Franz Kafka é um dos mais conhecidos e a obra é uma das mais importantes
produções literárias do século XX. A história é contada através de um narrador
onisciente, que conta as perspectivas do personagem principal nas três partes
em que o livro é dividido.
Na primeira é narrada a transformação do corpo de Gregor com
as várias patinhas e as costas dura como uma couraça. Na segunda é contada o
dia a dia do personagem, a não aceitação da família e, na terceira, as
angústias do personagem. Durante toda obra fica clara a relação do personagem com
os familiares: com o pai, um homem duro e autoritário, que faz referência a
relação do autor com o próprio pai, uma pessoa com quem nunca teve boa relação;
e também a relação de Gregor com a irmã Grete, que no início se mostra
compadecida da situação do personagem, mas depois se torna asquerosa em relação
ao irmão.
Essa história é contada de maneira cronológica, ou seja, os
acontecimentos são narrados conforme vão acontecendo. No início, Gregor se
mostra preocupado em perder o emprego, pois ele é quem sustenta a família
depois de uma crise econômica. Mas depois da transformação, quando é rejeitado,
os pais de Gregor voltam a trabalhar. O personagem já não faz mais diferença na
vida deles, até que acaba morto por causa de uma maçã jogada pelo pai e que
fica presa em suas costas.
Considerações: Fiquei um tanto relutante em ler A Metamorfose, mas depois que comecei
não consegui parar. A escrita simples de Kafka, mas carregada de significados,
como uma analogia a sociedade da época em que a novela foi escrita e até mesmo
as referências que o autor consegue impregnar da própria vida no texto através
de uma história bem contada, me fizeram entrar completamente no mundo kafkaniano e a pesquisar mais sobre
outras obras de Franz Kafka e as influências do artista em outras obras e também
em outros escritores.
Como Hitchcock se tornou o "mestre do suspense"
Por Ágatha Santos
Diretor de
"Psicose" (1960), "Um Corpo Que Cai" (1958) e "Os
Pássaros" (1963), entre tantas outras obras relevantes para o gênero de
suspense, Alfred Hitchcock, certamente, é um "mito" do cinema,
considerado o "mestre do suspense". Com mais de 50 filmes assinados,
ganhou alguns dos prêmios mais importantes, como o Prêmio Memorial Irving G.
Thalberg (1968) e os Globos de Ouro por Melhor Série de Televisão (1958) e
Prêmio Cecil B. DeMille (1972).
Hitchcok
adotou o cinema como hobby em 1913, quando tinha apenas 14 anos e morava em
Londres. Naquela época, a cidade britânica estabelecia o cinema como uma das
atividades recreativas mais importantes. No ano seguinte, começou a vida
profissional como revisor de cabos elétricos - algo que não lhe agradava. Em
poucos meses, conseguiu ir para o setor de publicidade e foi nessa área que um
dos diretores mais famosos das telonas começou aflorar toda a sua criatividade.
Graças à
publicidade, Hitchcock construiu alguma reputação, mesmo jovem, e também graças
à ela não foi convocado pelo exército de seu país. Àquela altura, estava
implantada a Primeira Guerra Mundial. Além disso, na década de 1920 ele
conseguiu seu primeiro emprego em uma empresa de cinema graças aos letreiros
para filmes mudos que produzia na Telegraph Henley. Essa empresa de cinema era
a Famous, que estava instalando um estúdio em Londres. Por lá, Hitchcok começou
como desenhista de letreiros.
Já em 1921,
o desenhista formado pela Belas Artes da Universidade de Londres começou a
escrever pequenos diálogos para alguns filmes - tudo sob a direção de George
Fitzmaurice, que também colocou Hitchcock a par das primeiras técnicas de
filmagem. Sem perder tempo, em 1923 dirigiu o seu primeiro filme, "Always
Tell Your Wife", aproveitando a ausência do diretor que ficou doente.
"Mrs. Peabody", no entanto, foi a sua primeira grande experiência no
cinema, produzido algum tempo depois.
Foi na
Famous, ainda, que Hitchcock conheceu uma das figuras mais importantes e que
exerceu maior influência durante sua vida: Alma Reville. Possivelmente, o
diretor não seria o "mestre do suspense" caso não tivesse encontrado
Alma, sua esposa, que também foi responsável, durante toda a sua vida, por
editar e moldar os filmes para o cinema. Em 1923, ficaram noivos enquanto
voltavam da Alemanha, onde o diretor assinou o seu primeiro roteiro em
"The Prude's Fall".
Foi em 1925
que o jovem obeso de 26 anos atuou pela primeira vez como diretor, com
"The Pleasure Garden". O material agradou tanto os dirigentes de
estúdio da época que, naquele mesmo ano, Hitchcock foi convidado para dirigir
mais dois filmes: "The Mountain Eagle" e "The Lodger: A Story of
the London Fog". Este segundo foi, provavelmente, o começo do diretor britânico
no suspense, apresentando uma família que achava que o seu inquilino era, na
verdade, "Jack, O Estripador".
Quando os
três filmes estrearam, em 1927, todos foram muito bem recebidos pela crítica.
Nessas obras Hitchcock já aparecia como figurante - uma peculiaridade dele que
viria a se tornar popular em seus próximos filmes, sendo a marca pessoal do
britânico ao longo de sua carreira como diretor. Já casado com Alma, naquele
mesmo ano Hitchcock aproveitou o embalo da crítica e dirigiu "The Ring",
filme que o inseriu de vez no cinema e o apresentou ao mundo, dando início à
sua fama internacional.
Com
"Blackmail" (1929), Hitchcock deu início a um período recheado de
clássicos do suspense inglês, como "O Homem que Sabia Demais" (1934),
"Os 39 Degraus" (1935) e "A Dama Oculta" (1938). A
repercussão de seus filmes chamou a atenção de produtores hollywoodianos e, em
1939, o diretor mudou-se para os Estados Unidos, país onde realizaria a maioria
de suas obras-primas, como "Rebecca" (1940), "Correspondente Estrangeiro"
(1940), "Mr. & Mrs. Smith" (1941) e "A Sombra de Uma
Dúvida" (1943).
Vencedor de
diversos prêmios nas décadas seguintes, a partir de 1950 Hitchcock passou a
ser, além de diretor, o produtor de seus filmes. Contando com grandes
orçamentos e podendo escalar as maiores estrelas do cinema norteamericano da
época, como Grace Kelly e James Stewart, produziu e dirigiu filmes como
"Chamada para a Morte" (1954), "Janela Indiscreta" (1954) e
"Vertigo" (1958). Em 1960 ele criaria uma das cenas mais conhecidas
da história do cinema em "Psicose", com a personagem de Janet Leigh
sendo assassinada a facadas no chuveiro.
Com a
carreira mais que consolidada, Hitchcock ainda teve fôlego para produzir
grandes obras até a sua morte, em 1980. Entre essas estão: "Os
Pássaros" (1963), nomeado ao Oscar; "Marnie" (1964), um de seus
clássicos; "Torn Curtain" (1966), "Topázio" (1969),
"Frenzy" (1972) e seu último filme, "Family Pilot" (1976).
Antes de se despedir do mundo, Hitchcock recebeu da Rainha Elizabeth II, a KBE
da Ordem do Império Britânico.
Seguramente
pode-se dizer que o diretor britânico mudou o jeito de se fazer cinema. Antes
de Hitchcock e toda a sua criatividade, as telonas desconheciam diversos
efeitos especiais e técnicas de filmagem que serviram de inspiração para boa
parte dos diretores e roteiristas de suspense que temos hoje. A abordagem
cinematográfica do terror foi alterada com Hitchcock, que cravou para sempre o
seu nome como um dos maiores diretores, produtores e roteiristas que o planeta
já teve.
“Um mundo onde tudo é possível”
Por Jorge Níkolas Camargo
É com a frase que dá título a
essa resenha que Neo, personagem de Keanu Reeves em “Matrix”, termina o filme
dirigido pelos irmãos Wachoski. O longa metragem, que teve seu lançamento em
1999, é um avanço tecnológico para a época, a começar pelos efeitos especiais
que ajudam a contar a história com maestria e num ritmo incansável, misturando
as emoções do espectador: suspense e ação que regem uma história inovadora para
a época e que, por que não, nos faz questionar até que ponto deixamos que a
tecnologia (nisso, entenda-se as máquinas e computadores cada vez mais
presentes em nossas vidas) tomar conta do nosso dia a dia, enquanto a sociedade
torna-se cada vez mais alienada com o que lhe é apresentado.
O questionamento levantado em
Matrix é extremamente válido: os seres humanos são manipulados para fazerem
aquilo que determinado poder quer. Claro, a ficção do filme é sobre a realidade
implantada nos seres humanos, que são fontes de energia para a inteligência
artificial criada pelo homem e que superou o seu criador. Para sobreviver, suga
a energia dos seres humanos dormindo e que vivem uma realidade que lhes
apresentada como única e verdadeira. O filme também é uma versão moderna do Mito da Caverna, de Platão, onde as pessoas enxergavam apenas sombras e consideravam aquilo como realidade absoluta, não acreditando em quem viu o mundo real fora da gruta.
Neo, o hacker, é despertado para
a realidade da Matrix depois de tomar uma pílula e, então, conhece um grupo de
pessoas que lutam contra essa realidade implantada. Um pouco de Ibsen, em Um Inimigo do Povo, quando o “Um” tenta
mostrar para uma sociedade cega que a realidade deles está sendo manipulada e,
também, O Show de Truman, onde o
personagem principal é criado diante de câmeras e passa toda a sua vida sendo
controlado por um produtor de televisão que só pensa em faturar. É uma
sociedade do espetáculo, onde o que lhe é apresentado é tido como única
verdade, sem questionamentos, sem intervenções.
O pane no sistema que Matrix
apresenta nos leva a refletir se, de fato, essa realidade que nos é apresentada
não é fake, criada única e
exclusivamente para controlar as vontades, os desejos de seres humanos que,
cada vez mais, estão cegos. O filme é uma crítica a sociedade contemporânea e
também uma reflexão sobre como deixamos que a sociedade consumista, capitalista
decida o que devemos vestir, o que comer, enfim, quem somos. Só sei que todas as
vezes que tive um Dejá Vu, vou achar
que tem alguém alterando, que alguém de desconfigurou.
Acabou Chorare: um álbum dos Novos Baianos que mudou a música brasileira
Por Ágatha Santos
Irresistível
do começo ao fim, o álbum "Acabou Chorare", lançado em 1972 pelos
Novos Baianos, é certamente um dos mais importantes da história da música
brasileira - senão o mais importante, como classificou a Rolling Stone em 2007.
Sim, o grupo era formado por aquele "bando de hippies", como Pepeu
Gomes, Baby Consuelo, Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira, Luiz Galvão e
Dadi Carvalho, entre outros agregados, como Marisa Monte e Caetano Veloso que,
volta e meia, apareciam para fazer um som em Jacarépaguá, na chácara onde todos
os membros da banda viviam em comunidade.
Com 10
faixas que mesclam samba, MPB, bossa nova, baião, rock and roll, rock
psicodélico e por aí vai, além das influências da Tropicália, "Acabou
Chorare" é um álbum com canções como "Brasil Pandeiro",
"Preta Pretinha", "Swing de Campo Grande", "Mistério
do Planeta" e "A Menina Dança", que são alguns dos maiores
sucessos dos Novos Baianos. Essas músicas apresentam uma mistura das guitarras
de Pepeu, passando pela excentricidade dos vocais de Baby e Paulinho e a
brasilidade de Moraes Moreira.
Guitarras
elétricas, percussão, batucada e chorinho estão presente em praticamente todas
as canções do álbum, que oferece música de alta qualidade até para quem não
gosta de samba-rock. "Acabou Chorare", além disso, marca o encontro
dos Novos Baianos com a sua identidade, que ainda não estava clara no disco
anterior, "Ferro na Boneca" (1970), que foi o primeiro do grupo. Não
fosse o bastante, o álbum ainda assinala a quebra dos preconceitos que a música
brasileira insistia em cultivar até a época.
Para compreender
melhor o que significa a história dos Novos Baianos, é preciso voltar à década
de 1960 e lembrar que, no Brasil, "não se aceitava música com guitarras
elétricas". Claramente influenciado por Jimi Hendrix, Pepeu Gomes libertou
o país da bestialidade musical vivida até aqueles anos e mostrou ao mundo como
é possível mesclar samba e chorinho com aquele instrumento musical que parecia
falar em suas mãos.
Com
influências que vão desde a psicodelia dos Mutantes, passando pela bossa nova
de João Gilberto, até o rock de Raul Seixas, "Acabou Chorare" é uma
mistura do melhor que a música brasileira já teve, gerado durante a época de
ditadura militar. Cada canção é muito bem trabalhada, de todos os pontos de
vista, dos vocais à peculiaridade de cada instrumento, harmonicamente,
utilizado pelo grupo.
Chega a ser
inacreditável que um álbum que diz tanta coisa em suas letras não tenha sido
censurado pela ditadura instaurada na época. Afinal, acima de tudo,
"Acabou Chorare" leva a quem está escutando as suas canções alguns
recados e críticas ao sistema, como o trecho "chegou a hora dessa gente
bronzeada mostrar seu valor", presente na faixa "Brasil
Pandeiro". Só os Novos Baianos souberam criticar com tamanha sutileza.
Além disso, não há tristeza que resista escutando "Besta É Tu", um
sambão de primeira presente no álbum.
Álbum:
Acabou Chorare (1972) - Novos Baianos
Faixas:
1 - Brasil
Pandeiro
2 - Preta
Pretinha
3 - Tinindo
Tricando
4 - Swing de
Campo Grande
5 - Acabou
Chorare
6 - Mistério
do Planeta
7 - A Menina
Dança
8 - Besta É
Tu
9 - Um
bilhete para Didi
10 - Preta
Pretinha (versão 2)
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