Por Ágatha Santos
Diretor de
"Psicose" (1960), "Um Corpo Que Cai" (1958) e "Os
Pássaros" (1963), entre tantas outras obras relevantes para o gênero de
suspense, Alfred Hitchcock, certamente, é um "mito" do cinema,
considerado o "mestre do suspense". Com mais de 50 filmes assinados,
ganhou alguns dos prêmios mais importantes, como o Prêmio Memorial Irving G.
Thalberg (1968) e os Globos de Ouro por Melhor Série de Televisão (1958) e
Prêmio Cecil B. DeMille (1972).
Hitchcok
adotou o cinema como hobby em 1913, quando tinha apenas 14 anos e morava em
Londres. Naquela época, a cidade britânica estabelecia o cinema como uma das
atividades recreativas mais importantes. No ano seguinte, começou a vida
profissional como revisor de cabos elétricos - algo que não lhe agradava. Em
poucos meses, conseguiu ir para o setor de publicidade e foi nessa área que um
dos diretores mais famosos das telonas começou aflorar toda a sua criatividade.
Graças à
publicidade, Hitchcock construiu alguma reputação, mesmo jovem, e também graças
à ela não foi convocado pelo exército de seu país. Àquela altura, estava
implantada a Primeira Guerra Mundial. Além disso, na década de 1920 ele
conseguiu seu primeiro emprego em uma empresa de cinema graças aos letreiros
para filmes mudos que produzia na Telegraph Henley. Essa empresa de cinema era
a Famous, que estava instalando um estúdio em Londres. Por lá, Hitchcok começou
como desenhista de letreiros.
Já em 1921,
o desenhista formado pela Belas Artes da Universidade de Londres começou a
escrever pequenos diálogos para alguns filmes - tudo sob a direção de George
Fitzmaurice, que também colocou Hitchcock a par das primeiras técnicas de
filmagem. Sem perder tempo, em 1923 dirigiu o seu primeiro filme, "Always
Tell Your Wife", aproveitando a ausência do diretor que ficou doente.
"Mrs. Peabody", no entanto, foi a sua primeira grande experiência no
cinema, produzido algum tempo depois.
Foi na
Famous, ainda, que Hitchcock conheceu uma das figuras mais importantes e que
exerceu maior influência durante sua vida: Alma Reville. Possivelmente, o
diretor não seria o "mestre do suspense" caso não tivesse encontrado
Alma, sua esposa, que também foi responsável, durante toda a sua vida, por
editar e moldar os filmes para o cinema. Em 1923, ficaram noivos enquanto
voltavam da Alemanha, onde o diretor assinou o seu primeiro roteiro em
"The Prude's Fall".
Foi em 1925
que o jovem obeso de 26 anos atuou pela primeira vez como diretor, com
"The Pleasure Garden". O material agradou tanto os dirigentes de
estúdio da época que, naquele mesmo ano, Hitchcock foi convidado para dirigir
mais dois filmes: "The Mountain Eagle" e "The Lodger: A Story of
the London Fog". Este segundo foi, provavelmente, o começo do diretor britânico
no suspense, apresentando uma família que achava que o seu inquilino era, na
verdade, "Jack, O Estripador".
Quando os
três filmes estrearam, em 1927, todos foram muito bem recebidos pela crítica.
Nessas obras Hitchcock já aparecia como figurante - uma peculiaridade dele que
viria a se tornar popular em seus próximos filmes, sendo a marca pessoal do
britânico ao longo de sua carreira como diretor. Já casado com Alma, naquele
mesmo ano Hitchcock aproveitou o embalo da crítica e dirigiu "The Ring",
filme que o inseriu de vez no cinema e o apresentou ao mundo, dando início à
sua fama internacional.
Com
"Blackmail" (1929), Hitchcock deu início a um período recheado de
clássicos do suspense inglês, como "O Homem que Sabia Demais" (1934),
"Os 39 Degraus" (1935) e "A Dama Oculta" (1938). A
repercussão de seus filmes chamou a atenção de produtores hollywoodianos e, em
1939, o diretor mudou-se para os Estados Unidos, país onde realizaria a maioria
de suas obras-primas, como "Rebecca" (1940), "Correspondente Estrangeiro"
(1940), "Mr. & Mrs. Smith" (1941) e "A Sombra de Uma
Dúvida" (1943).
Vencedor de
diversos prêmios nas décadas seguintes, a partir de 1950 Hitchcock passou a
ser, além de diretor, o produtor de seus filmes. Contando com grandes
orçamentos e podendo escalar as maiores estrelas do cinema norteamericano da
época, como Grace Kelly e James Stewart, produziu e dirigiu filmes como
"Chamada para a Morte" (1954), "Janela Indiscreta" (1954) e
"Vertigo" (1958). Em 1960 ele criaria uma das cenas mais conhecidas
da história do cinema em "Psicose", com a personagem de Janet Leigh
sendo assassinada a facadas no chuveiro.
Com a
carreira mais que consolidada, Hitchcock ainda teve fôlego para produzir
grandes obras até a sua morte, em 1980. Entre essas estão: "Os
Pássaros" (1963), nomeado ao Oscar; "Marnie" (1964), um de seus
clássicos; "Torn Curtain" (1966), "Topázio" (1969),
"Frenzy" (1972) e seu último filme, "Family Pilot" (1976).
Antes de se despedir do mundo, Hitchcock recebeu da Rainha Elizabeth II, a KBE
da Ordem do Império Britânico.
Seguramente
pode-se dizer que o diretor britânico mudou o jeito de se fazer cinema. Antes
de Hitchcock e toda a sua criatividade, as telonas desconheciam diversos
efeitos especiais e técnicas de filmagem que serviram de inspiração para boa
parte dos diretores e roteiristas de suspense que temos hoje. A abordagem
cinematográfica do terror foi alterada com Hitchcock, que cravou para sempre o
seu nome como um dos maiores diretores, produtores e roteiristas que o planeta
já teve.

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